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Mensagem da FESA para as XXI Jornadas
Técnico-Científicas 2017 – Apresentações
 


É com a mais elevada satisfação, que em nome do Conselho de Curadores da Fundação Eduardo dos Santos – FESA me dirijo a VExas., para nesta sessão solene proceder a leitura da mensagem da Fundação Eduardo dos Santos – FESA, concernentes às XXI Jornadas Técnico-Científicas que este ano decorrerem sob o lema“ANGOLA FACE A ACTUAL ORDEM ECONÓMICO-FINACEIRA MUNDIAL ”. Aproveitamos para agradecer de modo particular aos senhores Palestrantes e Moderadores nacionais e estrangeiros, por nos brindarem com a vossa presença, ao terem acedido partilhar alguns dias connosco, colocando os vossos conhecimentos e reconhecida experiência à disposição das várias abordagens, dignificando assim este magno evento.

 

Há 21 anos, a FESA iniciou e mantém a tradição de reunir a sociedade promovendo um ciclo de palestras para, em debate aberto, reflectir sobre temas de significativa relevância e interesse comum para a sociedade, como expressão clara da sua vocação natural em contribuir na identificação, tratamento e solução das grandes questões que o País enfrenta.

Actualmente, Angola encontra-se num amplo processo de desenvolvimento, que para o seu alcance se vê obrigada a transpor inúmeras barreiras, aos quais os Estados e  Governos, devem envidar esforços para identificação e solução dos eventos daí decorrentes, tendo como fim último propiciar a harmonia e bem-estar.

A actual crise económica e financeira internacional que grassa um pouco por todos os países tem o seu início no limiar do segundo semestre de 2008, cuja causa principal foi precipitada pela falência do tradicional banco de investimentos dos E.U.A. - Estados Unidos da América, o Lehman Brothers, fundado em 1850. Em efeito cascata, outras grandes instituições financeiras faliram no processo também conhecido como "crise dos subprimes".

Nesse sentido, para evitar um colapso generalizado do sistema financeiro, o governo dos E.U.A. auxiliou as agências de crédito imobiliário injectando USD 200 biliões em dólares americanos, em duas agências de crédito que haviam sido privatizadas em 1968. Tal intervenção financeira para salvamento do sistema financeiro estadunidense, foi considerada como a maior operação de ajuda feita por aquele governo até então.

Do mesmo modo, em Outubro de 2008, a Alemanha, França, Áustria, os Países Baixos e a Itália anunciaram pacotes de subvenção aos seus sistemas financeiros. Na ocasião, O PIB da Zona do Euro teve uma queda de 1,5% no quarto trimestre de 2008 em relação ao trimestre anterior, tendo sido considerada como a maior contracção da história da economia daquela Zona Económica.

Segundo ainda uma corrente de economistas, referiam que o desdobramento mais recente da crise financeira e económica internacional de 2008-2014 foi o da insolvência das nações desenvolvidas, no qual o grande acúmulo da dívida governamental fez estourar a capacidade de endividamento dessas nações e causou uma enorme turbulência financeira mundial por não puderem honrar os seus compromissos e decretar o calote da dívida. A principal consequência da crise das dívidas soberanas traduziu-se numa grande instabilidade social causada pelos cortes dos benefícios sociais.

De outro modo se defendia a tese de que a crise dos subprimes não afectaria significativamente os países emergentes e em desenvolvimento, mas, constatou-se, que todos os países do mundo foram atingidos. Angola, face a essa corrente da globalização, não foi excepção, cujos efeitos ainda se fazem sentir até aos nossos dias, não obstante o Executivo estar a direccionar esforços para debelar a situação.

 

Como foi acima referido, este ciclo regular de debates sobre temas de carácter científico, tem como objectivo  proporcionar  conhecimento de modo permanente ao cidadão angolano, possibilitando o seu envolvimento activo e consciente  em matérias que inquietam a sociedade.

Hoje, num momento em que a FESA está mais consolidada, acreditamos e estamos convictos, de que as anteriores jornadas  constituíram-se num incentivo à abordagem de temas de interesse para a vida do País.

A FESA, no seu firme propósito de partilhar reflexões com a sociedade angolana, traz para estas Jornadas a debate público um tema bastante actual e de impacto profundo.

 

O actual cenário de crise económica e financeira que o Pais atravessa, causada fundamentalmente pela queda do preço do barril de petróleo  tem conduzido o país a enfrentar problemas de vária índole.

Enquanto a relação entre Angola e os restantes países estiver assente na exportação de matérias-primas (petróleo ou outros bens primários) e como contrapartida, para a satisfação das necessidades internas recorrermos a importação de produtos acabados do exterior, estar-se-á de algum modo a perpectuar a dependência quase infinita, caso os ajustamentos estruturais requeridos não sejam introduzidos com brevidade nesse panorama, propiciando a mudança de políticas que ofereçam sustentabilidade ao ambiente macroeconómico à extroversão económica em que nos encontramos. 

 

Segundo dados oficiais, uma das consequências da crise económica e financeira que se abateu sobre o Mundo em 2012 e 2016 consistiu na redução acentuada dos preços do petróleo no mercado internacional. No período compreendido entre 2009 a 2015, a economia angolana registou crescimento continuado, todavia, a taxas conservadoras. Nesse período, Angola cresceu a uma taxa média anual de 4,2%, sendo crescente até ao ano de 2014 ao ritmo de 2,39%, portanto, com ligeira redução em relação ao ano precedente. Já nos anos de 2009, 2010, 2011, 2012 2013, essas taxas foram de respectivamente, 3,5%, 3,9%, 5,2%, 6,8% e 4,8%, enquanto em 2015 registou-se uma taxa de crescimento de apenas 3% ao ano.

Nesse mesmo período, que vimos analisando, o crescimento do sector petrolífero foi negativo (-0,78%), onde o sector não petrolífero teve um papel relevante servindo-se como variável compensadora da quebra registada no sector petrolífero, que registou uma média de crescimento de (7%). Nesse particular, destacam-se as contribuições dos sectores da agricultura em (11%), indústria, (8%) construção (11,9%) e energia com (14,3%).

Nesse sentido, os desafios do País face a actual ordem económico-financeira mundial, passam igualmente por criar condições internamente em termos económicos e políticos para uma integração regional no domínio económico.

Mas antes de avançar para este objectivo, é necessário criar condições em termos de infra-estruturas, tecnologia, conhecimento, formação de quadros, aspectos tidos como de capital importância para proporcionar e alavancar a produção interna, o que significa uma industrialização que seja capaz de produzir os bens até então importados, para abastecer com maior autonomia o mercado interno e posteriormente os da Região, na mesma medida que se procurar novas aberturas ao nível externo para exportação do excedente da produção.

Esta abertura dos mercados deve ser acompanhada de investimentos em infra-estruturas e com maior acesso ao crédito, ou seja, tal desenvolvimento depende horizontalmente de uma série de medidas encadeadas e realizadas de forma conjunta para alcança-las de forma sustentável. 

 

Estas são as razões que fundamentam o compromisso da FESA na qualidade de auxiliar e parceiro do poder público. Por isso, terminamos a presente mensagem, deixando para reflexão o seguinte pensamento:

A realidade actual do País constitui preocupação e desafios para o Governo, Universidades, Empresas e Sociedade Civil, pelo que se torna necessária a participação de todos, contribuindo com políticas, ideias e acções. 

O empresariado nacional é chamado à acção para melhorar o quadro negativo que o País apresenta em termos de produção nacional para aumento e garantia de empregos seguros.

Por conseguinte, para melhoria da situação actual, a ajuda externa reveste-se ainda de particular importância. Para o efeito devem ser gizados programas de financiamento sem grandes condicionalidades, associada a transferência de tecnologia, know-how; para tornar o processo de industrialização mais efectivo, competitivo e sustentável, de modo a promover o equilíbrio dos termos de troca.

No mesmo sentido, as políticas públicas devem basear-se na potencialização das áreas do interior e áreas rurais em termos de investimento no sentido de diminuir as assimetrias regionais que ainda se verificam, através da promoção de políticas de incentivos fiscais para os empresários nacionais ou estrangeiros que se mostrarem interessados em investir nessas localidades. Pensamos, que abraçando essas premissas, não restam dúvidas, que com esse ambiente favorável se contribuirá de modo diferenciado à economia, e em grande medida veremos materializada em termos práticos a redução do êxodo rural, e permitirá uma maior e melhor distribuição do rendimento nacional por parte do Governo

Para a redução das assimetrias, o País deve apostar numa nova dinâmica baseada na “revolução verde”, ou seja, na adopção de uma política assente no desenvolvimento da pesquisa e da inovação tecnológica.

A FESA, está consciente de que os temas escolhido para as presentes XXI Jornadas Técnico Científicas, pela sua complexidade e abrangência, não poderão ser analisados e concluídos num Fórum de apenas três dias. O objectivo é partilharmos as experiências com os nossos convidados, permitir uma livre participação de todas as franjas da nossa sociedade, da qual destacamos os jovens, no sentido de exprimirem as suas opiniões e ideias, de conhecerem matérias e formularem questões.

Agradecemos o vosso contributo nestas jornadas e formulamos votos de ampla e activa participação nos debates.

Muito obrigado. 

FESA - Um factor de desenvolvimento social

Luanda, 24 de Outubro de 2017

 

Apresentações:

Painel I - Os grandes desafios da economia mundial e seus reflexos para o continente africano

 

Painel II - As transformações estruturais no mundo

 

Painel III - A economia angolana na actualidade 2010-2016

 

Documentos finais:

- Discurso de abertura: Ministro da Economia e Planeamento de Angola, Pedro Luís da Fonseca 

Mensagem da UAN - Universidade Agostinho Neto 

- Moção de agradecimento

- Discurso de encerramento: Ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira 

- Síntese das XXI Jornadas Técnico-Científicas 2017

 

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