Protocolo com a Fundação Calouste Gulbenkian

13190360256645A Fundação Eduardo dos Santos (FESA) assinou a 12 de Outubro de 2011, em Luanda, um protocolo de cooperação para um período de três anos prorrogáveis, com a Fundação Calouste Gulbenkian, de Portugal. O acordo visa assegurar a promoção da investigação científica no domínio da saúde.

O protocolo foi assinado pelo presidente da FESA, Ismael Diogo, e pela administradora executiva para Investigação, Isabel Mota, por parte da Fundação portuguesa.

O diploma tem por objectivo estabelecer as condições de colaboração entre as duas partes, com vista a incentivar a investigação cientifica e a formação de jovens angolanos, dedicados à área da saúde.

No âmbito dessa colaboração, à Calouste Gulbenkian compete conceber o programa, diligências e os respectivos pagamentos às instituições portuguesas de investigação responsáveis pelos estágios científicos, ao passo que a FESA ocupa-se da divulgação do mesmo programa, do processo de selecção dos beneficiários e das despesas referentes às deslocações dos bolseiros.

Quanto às bolsas de doutoramentos, o acordo que entrou em vigor na data da sua assinatura, 12 de Outubro, estabelece que a Fundação Eduardo dos Santos compromete-se a financiar, até ao máximo de três anos, duas bolsas à investigadores nacionais, a serem indicados pelo CISA. 

Como resultado do acordo, seis quadros angolanos concluíram, dia 09/07/2015, em Lisboa, um estágio de investigação biomédica, ao abrigo da parceria entre a Fundação Eduardo dos Santos (FESA) e a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). Os jovens médicos, que estiveram dois meses em Portugal, ganham assim mais conhecimentos e experiências, que determinarão, no futuro, a opção por uma carreira na área da investigação em saúde em Angola.

O estágio de investigação científica, que já vai na sua segunda edição, visa capacitar quadros de que muito necessita Angola. «Este projeto é prova do fortalecimento das relações entre os nossos dois países e as nossas instituições», afirmou João de Deus Pereira, diretor geral da Fundação Eduardo dos Santos, que aproveitou a ocasião para felicitar os seis médicos estagiários angolanos e enaltecer o trabalho realizado pelas instituições portuguesas, encabeçadas pela parceira Fundação Calouste Gulbenkian.

Durante dois meses, os bolseiros da FESA trabalharam em vários institutos portugueses de excelência. No encerramento da formação em investigação biomédica, que decorreu ao longo de quase quatro horas, na FCG, todos apresentaram e defenderam as respetivas propostas de projeto, sendo atentamente seguidos por Maria Hermínia Cabral, responsável do Departamento do Programa Gulbenkian Parcerias para o Desenvolvimento, e foram depois abordados com rigor pelos orientadores portugueses, com sentido de exigência e qualidade.

Cristina de Almeida falou de diagnóstico laboratorial das hemoglobinopatias mais frequentes em África, projecto feito no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, depois de passar por dois departamentos diferentes, nos quais recolheu experiências que a ajudaram a elaborar o seu trabalho de fim de estágio.

Com base em pesquisas com ratos, Antoninos Capitão debruçou-se sobre propostas para o tratamento da malária celebral, pelo seu impacto e pela suas sequelas nas crianças. Já Justino Caquarta, que esteve no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, aprendeu as principais técnicas laboratoriais para tratar os dados de uma investigação e como elaborar projetos no domínio científico. O seu trabalho focou aspetos sobre a prevalência da hipertensão arterial na população adulta, nomeadamente da província do Bengo, propondo para isso uma mudança de comportamentos com base nos dados relativos à toma de medicamentos.

Kitenge Emanuel Lumami debruçou-se também sobre a malária e sobre a importância do ferro na infeção pelo plasmódio, causador da doença. O seu projeto reflete sobre a incidência de anemia em crianças com malária atendidas no Hospital Pediátrico de Benguela.

Eduarda de Sá da Costa Freire escolheu a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto porque quer aprofundar o estudo do implante na população de Luanda e aplicar os conhecimentos na educação para a saúde. Por sua vez, António da Conceição Lopes passou pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical para perceber melhor os fatores que determinam a resistência do plasmódio, vetor da malária, doença com impacto mundial devastador. Também quis conhecer os fatores de risco da febre tifóide na população de Benguela, que levam à perfuração intestinal, considerado outro dos problemas de saúde pública em Angola.

António da Conceição Lopes disse que esta ação de formação o ajudará, e aos seus colegas, claramente, a dar os primeiros passos para uma carreira na área da investigação. «Somos formados em Medicina mas a investigação em saúde é uma área diferente, que exige outras valências», acrescentou.

 

 

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